Autor: Luis-Miguel Romero | octubre 11 2021 Tradução: Vanessa Matos https://doi.org/10.3916/escuela-de-autores-167 De acordo com a Real Academia Espanhola existem cerca de cinquenta tipos de livros – consideradas as amplitudes conceituais – (eclesiástico, registro, contabilidade…). Neste post, nós nos concentramos apenas naqueles que são de interesse acadêmico, informativo, ensaístico e que se referem à trabalho de pesquisa. Para […]

Autor: Luis-Miguel Romero | octubre 11 2021

Tradução: Vanessa Matos

https://doi.org/10.3916/escuela-de-autores-167

De acordo com a Real Academia Espanhola existem cerca de cinquenta tipos de livros – consideradas as amplitudes conceituais – (eclesiástico, registro, contabilidade…). Neste post, nós nos concentramos apenas naqueles que são de interesse acadêmico, informativo, ensaístico e que se referem à trabalho de pesquisa.

Para fins legais, um livro é qualquer livro impresso (e / ou digital) não periódico que contenha mais de 49 páginas (UNESCO, 1964) e que atenda ao requisito de possuir um identificador numérico internacional (ISBN). Na Espanha, além disso, há a obrigação de depositar quatro exemplares em qualquer formato junto à administração pública (como medida de preservação do patrimônio cultural e intelectual do país) se o objetivo do livro for sua venda ou distribuição. No Brasil, desde março de 2020, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) é responsável por emitir o ISBN. Os editores são geralmente responsáveis ​​por esses processos, embora fundos de Universidades e Centros de Pesquisa também tendam a fazê-lo.

Para organizar os tipos de livros neste post, vamos dividi-los em três grupos: livros didáticos, de referência ou consulta, e resultados científicos ou de pesquisa.

Livros docentes

A finalidade desse tipo de trabalho é servir de referência para alunos de graduação, pós-graduação e doutorado sobre determinado assunto ou série de assuntos, embora também busque alinhar os conteúdos de uma área do conhecimento para professores da mesma universidade ou país. Dentre eles, podemos encontrar manuais, instruções e guias.

A estrutura dos livros didáticos geralmente obedece à evolução do assunto a ser tratado, ou seja, parte-se dos aspectos básicos, introdutórios e centrais, até o seu desenvolvimento mais complexo. Esta é a razão pela qual é normal que os índices sejam muito semelhantes aos conteúdos programáticos de um guia de ensino ou plano de estudos.

Embora o estilo de escrita dos trabalhos dependa do nível de ensino a que se destina (graduação, pós-graduação, doutorado), os livros docentes devem ser claros e ordenados, pois a intenção é que alunos e demais professores possam, por meio de sua leitura, compreender e aprofundar o conteúdo de um assunto. É, por assim dizer – e preenchendo a lacuna – a evolução do livro escolar.

Livros de referência ou consulta

Neste tipo de trabalho, muito mais extenso em subcategorias do que o anterior, encontram-se monografias, livros de debate, white papers, memórias, anais, ensaios, entre outros. O objetivo deles é discutir, debater e apresentar contraste em um ou vários eixos temáticos.

Obviamente, sua estrutura e estilo editorial dependerá de sua finalidade, pois um white paper – como um relatório – elaborado por um grupo de pesquisa ou centro de uma entidade pública não é o mesmo que um livro de debate ou ensaio, com uma visão mais explicativa e formato livre. Da mesma forma, memórias e anais são muito diferentes de anais de conferências ou monografias de referência.

Livros científicos ou resultantes de pesquisas acadêmicas

Um livro de divulgação científica é uma obra individual ou coletiva que trata de uma mesma área ou campo do conhecimento, e que apresenta resultados de pesquisas. Geralmente é estruturado em capítulos, tendo entre todos eles, ou cada um deles independentemente, a estrutura de um relatório de pesquisa (Introdução, Materiais e método, Resultados, Discussão, Conclusões e Referências).

Esses livros são geralmente coordenados por grupos, redes ou centros de pesquisa, bem como por associações de pesquisadores, embora estejam se tornando cada vez mais padronizados como forma de produto para a divulgação e transferência de projetos de pesquisa na Europa.

Dada a natureza muito específica deste tipo de trabalho, os editores sabem que são difíceis de comercializar – já que não são de interesse geral, como no caso dos livros de referência, ou coletivos, como o livro educativo – e, por isso, costumam cobrar dos autores, grupos, redes ou associações uma taxa para cobrir os custos de sua produção.

Indicadores de “qualidade” de uma editora e dos livros

Hiperbolicamente, há mais editoras na região ibero-americana do que livros publicados. Embora atualmente haja mais demanda para publicar – não necessariamente para ler – artigos em revistas científicas, dada a pressão de muitas universidades e agências na Espanha e na América Latina, o mundo editorial continua existindo, embora sua capacidade tenha sido diminuída nos últimos 15 anos.

Existem universidades e centros de pesquisa que possuem coleções e editoras próprias. Há também países que possuem editoras em Ministérios (como Educação ou Cultura), nas sedes dos poderes públicos (como nos poderes legislativo e judiciário), e até mesmo em entidades regionais e locais, além de todas as iniciativas privadas globais. A digitalização também contribuiu para o nascimento de novos tipos de editoras e serviços de impressão sob demanda (que não são os mesmos), o que levanta a questão: qual é o melhor lugar para publicar, tendo em vista o desenvolvimento do meu currículo?

A publicação de um livro para que tenha amplo alcance pode ser feita em formatos de auto impressão ou com licenças abertas (como Creative Commons) que permitem que ele seja carregado na Internet sem nenhum problema de direitos. No entanto, essa modalidade pode não ser positiva em função de seu reconhecimento por órgãos de avaliação de professores (como ANECA, Conacyt, ColCiencias na Espanha, Capes no Brasil, etc.).

Nessa ordem de ideias, algumas agências de avaliação de professores costumam se pautar pela inclusão de editoras e livros em índices específicos, como:

  • Scholarly Publishers Indicators (SPI): Trata-se de um ranking de prestígio de editoras acadêmicas (espanholas e internacionais), promovido pela Federação Espanhola de Editores, financiado pelo Ministério da Educação, Cultura e Esportes da Espanha, e realizado pela Associação Acadêmica Grupo de Pesquisa em Livros (ILIA) do Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC). Sua última atualização foi em 2018.
  • Sello de Calidad en Edición Académica (CEA-APQ): Esta é outra iniciativa espanhola endossada pela Federação Espanhola de Ciência e Tecnologia (FECYT), a Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Qualidade (ANECA) e promovida pela União de Editores Espanhóis Universidades. Para a sua quinta convocatória, em setembro de 2021, 49 coleções de editoras universitárias espanholas obtiveram este selo de qualidade.
  • Book Citation Index (BKCI) de Clarivate Analytics: Esta é uma seção do Clarivate Analytics – Web of Science – que inclui mais de 60.000 livros que passaram por um processo de seleção interno (índice seletivo), no qual as citações geradas do livro em outros documentos WoS, bem como os metadados do trabalho editorial, são capturados e aos quais os registros de referência são vinculados. Ao contrário das anteriores, a inclusão de uma obra no BKCI é feita após a publicação do livro.

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